Instituto Cultural Famoudou Konate
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O Djembê
Não há uma precisão de datas e há várias histórias sobre sua invenção. Alguns asseguram que foram os ferreiros/engenheiros (Numu), a partir de abrangentes necessidades de comunicação e manutenção social. Das lendas que pesquisamos, brevemente divulgaremos a que foi coletada com Vovó Fanta Keita.

O Djembê é um tambor no formato de cálice, confeccionado em tronco de madeira escavado (originalmente o Lenkê), com pele de cabra ou antílope esticada através de cordas e aros de ferro. Originário dos Mandingas, ele passou e passa por diversas evoluções em seu formato e na sua montagem, onde sua afinação possibilita freqüências sonoras extremamente agudas, devido à chegada das cordas sintéticas, dos aros soldados, e das ferramentas que auxiliam a “puxada da pele”. Existem relatos de antigos djembês com cravelhas como as do Sabar e djembês afinados com cunhas, como atabaques.

A grande força do djembê é o seu conceito de “falar”, onde a personalidade do músico, sua educação, sua cultura e seu conceito de mundo ficam em evidência, uma vez que os Malinkês são considerado como “Pessoas da Fala”, dão grande importância à colocação das palavras.Os djembefolás (pessoas que fazem o djembê falar) sempre foram considerados de "homem de nada" (mófu), o mais baixo na hierarquia dos instrumentistas, sendo que até hoje eles podem sofrer a repulsa dos pais de suas futuras noivas. Eles só começaram a ganhar destaque na Guiné e depois internacionalmente com a revolução do presidente Sekou Touré, que recrutou os melhores artistas de cada aldeia e etnia e patrocinou inúmeros grupos de música Pop no formato de Big Bands (22 pessoas ou mais) assim como balés regionais e os de porte internacional.

Atualmente os djembefolás são responsáveis por um turismo cultural intenso na Guiné, onde muitos são respeitados como heróis nacionais e vivem muito bem no exterior, voltando periodicamente para ministrar seus workshops e movimentar a economia guineana.